Uma ninhada de gatinhos sphynx exige uma preparação mais aprofundada do que no caso de um gato de pelo curto, uma vez que estes gatinhos nascem sem qualquer proteção térmica e dependem inteiramente do calor do ninho e do contacto com a mãe. Antecipar a chegada da ninhada evita muitas complicações: uma gata mal nutrida produz menos leite, um ninho mal escolhido expõe as crias ao frio, e um tabuleiro de areia inadequado atrasa o seu desmame. A preparação joga-se, em grande parte, antes mesmo do início do trabalho de parto.
Passa por quatro etapas concretas: adaptar a alimentação da gata assim que a gestação for confirmada, instalar um espaço de parto calmo e quente, reunir um pequeno kit de emergência e saber reconhecer os sinais que justificam um telefonema ao veterinário. No caso do sphynx, a questão do calor pesa mais do que noutras raças, pois a pele nua dos gatinhos arrefece muito rapidamente nas primeiras semanas.
O resto deste artigo detalha cada um destes pontos para que o parto decorra nas melhores condições, desde a mudança da ração até ao desmame completo das crias.
Adaptar a alimentação da gata durante a gestação
Assim que a gestação é confirmada, a ração da gata deve mudar. Uma ração formulada para gatos esterilizados, pobre em calorias, já não cobre as suas necessidades: a gestação e a amamentação aumentam fortemente o gasto energético e a procura por proteínas. É necessário mudar para uma alimentação mais rica, geralmente uma fórmula para gatinhos ou para gatas gestantes e lactantes, que fornece mais calorias, cálcio e ácidos gordos.
Esta mudança mantém-se durante todo o período de gestação e depois durante a amamentação, até ao desmame completo dos gatinhos. A gata lactante pode comer duas a três vezes mais do que o habitual, dependendo do tamanho da ninhada. Deixar a comida à disposição em regime de livre acesso, em vez de refeições fixas, permite que o seu organismo vá buscar o que precisa no momento certo.
A água merece a mesma atenção que a comida. Uma gata que produz leite bebe mais, e uma taça única, mal colocada ou demasiado longe do ninho, pode ser suficiente para reduzir o seu consumo. É preferível multiplicar os pontos de água pela casa em vez de depender apenas de um.
Preparar um espaço de parto seguro
Duas semanas antes da data prevista para o parto, um espaço dedicado deve estar pronto. Uma gata em final de gestação procura um local fechado, longe do ruído e da passagem, e pode escolher um armário, uma caixa de cartão ou o fundo de uma cómoda se nada mais adequado lhe for proposto. Uma caixa alta, com uma borda suficientemente elevada para impedir que os gatinhos caiam para fora, mas suficientemente baixa para que a mãe entre e saia facilmente, é uma boa opção.
O fundo da caixa deve permanecer liso, sem arestas nem material que possa ferir os recém-nascidos. Uma tampa parcial ou uma caixa fechada em três lados reforça o sentimento de segurança da gata, que prefere geralmente um espaço fechado a uma cama aberta colocada no meio de uma divisão.
O caso particular dos gatinhos sphynx
Os gatinhos sphynx nascem sem pelo protetor e perdem o calor corporal muito mais rapidamente do que um gatinho coberto de pelo. O ninho deve, portanto, permanecer numa divisão cuja temperatura não desça, longe de janelas, correntes de ar e do chão frio no inverno. Uma fonte de calor suave, como um tapete térmico regulado para uma temperatura baixa e colocado apenas sob uma parte da caixa, permite aos gatinhos a possibilidade de se afastarem do calor se tiverem demasiado, oferecendo-lhes ao mesmo tempo um refúgio quando precisam.
Uma vez os gatinhos desmamados e um pouco mais autónomos, esta sensibilidade ao frio não desaparece completamente: é o que explica por que razão os proprietários de sphynx adultos complementam frequentemente o pelo ausente com têxteis adaptados, camisolas ou pequenas roupas usadas em casa durante as estações frias. Isto não é um capricho estético, é uma resposta direta a uma raça que regula mal a sua temperatura.
Escolher o tabuleiro de areia e a localização correta
O tabuleiro de areia destinado aos futuros gatinhos prepara-se em paralelo com o ninho, mas num local distinto, escuro e calmo, longe da passagem. A gata deve poder familiarizar-se com ele antes do parto: deixá-la dormir perto do tabuleiro, com a sua taça de comida e água por perto, ajuda a fixar este canto como um território seguro.
Para o fundo do ninho, várias soluções funcionam:
- Papel de jornal, limpo, absorvente e descartável, que a gata pode rasgar para construir o seu ninho
- Resguardos absorventes para cachorros, fáceis de mudar sem sujar toda a caixa
- Roupa de cama macia e lavável, tipo manta ou toalha grossa, mudada e lavada todos os dias
- Uma mistura das duas primeiras soluções durante os primeiros dias, até que a gata escolha o que lhe é mais conveniente
Acontece frequentemente que a gata, apesar de toda esta preparação, escolha um local completamente diferente para parir. Nesse caso, é melhor deixá-la seguir o seu instinto em vez de a forçar a voltar ao ninho preparado, sob pena de a stressar inutilmente no momento mais delicado.
Preparar um kit para o parto
A maioria dos partos decorre sem intervenção humana, mas um pequeno material reunido com antecedência evita correrias pela casa no momento crítico. Um kit simples é suficiente:
- Fio dentário limpo para atar o cordão umbilical se a mãe não o fizer sozinha
- Tesouras desinfetadas para cortar o cordão em caso de necessidade
- Tintura de iodo ou clorexidina para aplicar no umbigo de cada gatinho para limitar o risco de infeção
- Toalhas limpas para secar os gatinhos se a mãe não os limpar rapidamente
- Uma caixa de transporte mantida quente, de reserva, caso seja necessário um deslocamento ao veterinário
Uma visita ao veterinário antes do parto permite colocar todas as questões úteis: duração normal do trabalho de parto, sinais de alerta, comportamento esperado da mãe para com as crias. Esta consulta tranquiliza e prepara melhor do que uma leitura isolada, pois cada gata e cada ninhada apresentam as suas próprias particularidades.
Saber quando contactar o veterinário
O número do veterinário habitual deve estar facilmente acessível durante todo o período que rodeia o parto. Alguns sinais justificam um telefonema imediato: contrações visíveis e improdutivas há mais de uma hora, um gatinho preso, uma gata que parece exausta ou que ignora as crias após o nascimento.
Outras situações, menos urgentes mas igualmente importantes, também merecem uma opinião médica: um gatinho que não aumenta de peso de um dia para o outro, uma mãe que recusa comer após o parto, um corrimento anormal. Pesar cada gatinho diariamente com a ajuda de uma pequena balança de cozinha continua a ser a forma mais simples de detetar um problema antes que se torne grave.
Se a gestação não estava prevista, este é também o momento ideal para discutir com o veterinário o calendário de esterilização. Esta nunca deve ocorrer antes do fim completo do desmame, sob pena de comprometer a lactação e, consequentemente, o crescimento dos gatinhos. Uma vez terminado o desmame, a gata pode retomar uma alimentação adaptada a um gato esterilizado.
Alimentar gatinhos que não conseguem mamar
Acontece que uma mãe não consegue amamentar todas as suas crias, por falta de leite, por rejeição de uma cria ou devido a uma ninhada demasiado numerosa. Nesse caso, uma fórmula de leite maternizado para gatinhos, contendo colostro, substitui temporária ou totalmente a amamentação natural. O leite de vaca clássico não é adequado: provoca perturbações digestivas num gatinho tão jovem.
A alimentação com biberão ou conta-gotas faz-se em pequenas quantidades, várias vezes ao dia, respeitando o ritmo natural de um gatinho que mama de duas em duas ou de três em três horas nos primeiros dias. Esta fase dura cerca de quatro semanas, seguida de uma transição progressiva para uma comida sólida humedecida durante as quatro semanas de desmame.
Um gatinho alimentado artificialmente exige uma vigilância acrescida quanto ao aumento de peso e à higiene após cada refeição, pois a mãe já não consegue estimular a eliminação através da lambidela. Um contacto regular com o veterinário durante este período limita os riscos e permite ajustar as quantidades caso o crescimento abrande.
O que reter antes da chegada da ninhada
Preparar a chegada de uma ninhada de gatinhos sphynx baseia-se em gestos simples feitos a tempo: uma alimentação reforçada para a mãe, um ninho quente e calmo instalado com várias semanas de antecedência, um tabuleiro de areia adaptado, um kit de emergência pronto e um contacto veterinário fácil de alcançar. A sensibilidade ao frio própria desta raça torna o controlo da temperatura ainda mais determinante do que para um gatinho coberto de pelo.
Esta atenção ao calor não termina no nascimento: acompanha o gato sphynx durante toda a sua vida e explica por que razão tantos proprietários complementam o seu dia a dia com têxteis pensados para ele. Uma camisola leve ou uma roupa adaptada, escolhida num material macio e não irritante para uma pele nua, pode ajudar um gatinho sphynx a atravessar os seus primeiros meses de forma mais confortável, uma vez desmamado e liberto dos cuidados constantes da sua mãe.
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