O matatabi é uma planta originária do Leste Asiático, prima próxima do kiwi, cujo tronco e frutos libertam compostos que desencadeiam na maioria dos gatos uma reação semelhante à produzida pela erva-gateira: esfregar-se, rebolar, morder ou, pelo contrário, atingir uma calma invulgar. Ao contrário da erva-gateira, o matatabi atua através de um composto principal, a actinidina, que atrai frequentemente gatos que permanecem indiferentes à nepetalactona. É esta complementaridade que o torna um aliado precioso para casas onde o gato já ignora o seu brinquedo de erva-gateira.
Utilizado sob a forma de pauzinhos para roer, pó ou brinquedos impregnados, o matatabi serve sobretudo para ocupar um gato de interior, ajudá-lo a libertar tensão nervosa e, acessoriamente, limitar a acumulação de placa bacteriana quando é roído. A sua utilização deve ser pontual: se for dado demasiadas vezes, perde o seu efeito e o gato perde o interesse. Os parágrafos seguintes detalham os seus efeitos, as formas de utilização, as precauções a observar e as plantas que podem substituí-lo ou complementá-lo.
O matatabi, uma planta que comunica com o gato de forma diferente
O matatabi, ou Actinidia polygama, cresce naturalmente no Japão, na China e na Coreia, em regiões montanhosas temperadas. Os produtores colhem sobretudo as galhas, pequenas excrescências que se formam nos ramos quando um inseto deposita os seus ovos: estas concentram mais compostos ativos do que a madeira lisa. Esta madeira é depois seca e cortada em pauzinhos, ou reduzida a pó fino, consoante o uso pretendido.
A molécula que mais interessa aos investigadores é a actinidina, um composto volátil que o gato deteta através do seu órgão vomeronasal, o recetor situado no palato que capta feromonas e certas moléculas odoríferas. Uma vez estimulado, este órgão desencadeia uma cascata de reações no sistema nervoso do gato, semelhante à observada com a erva-gateira, mas frequentemente mais marcada. Alguns gatos ignoram totalmente a erva-gateira, reagindo fortemente ao matatabi, o que explica porque é que as duas plantas são propostas lado a lado em vez de uma substituir a outra.
Por que existe esta atração no gato
Os cientistas que estudaram a erva-gateira e o matatabi avançam uma explicação que vai além do simples prazer olfativo: estes compostos voláteis assemelham-se a moléculas encontradas em certos insetos, e o facto de esfregar o corpo nelas poderia ter desempenhado um papel de repelente natural contra mosquitos ou outros parasitas ao longo da evolução felina. Esta hipótese continua a ser debatida, mas esclarece um comportamento que, de outra forma, pareceria desproporcional em relação a um simples cheiro de planta. Explica também porque é que os grandes felinos, incluindo tigres e leões, mostram reações comparáveis às observadas no gato doméstico.
Esta sensibilidade não é universal nos felinos: depende em parte da genética de cada indivíduo, um mecanismo ainda mal compreendido, mas documentado por várias observações veterinárias. É o que explica que um gato nascido de uma linhagem pouco recetiva à erva-gateira possa, ainda assim, reagir fortemente ao matatabi, uma vez que as duas plantas não ativam exatamente os mesmos recetores. Esta variabilidade individual é a razão pela qual propor várias plantas continua a ser a melhor forma de saber o que convém a um gato em particular.
Como um gato reage concretamente ao matatabi
Uma fase de excitação lúdica
Nos minutos que se seguem ao contacto, a maioria dos gatos esfrega o focinho e as bochechas contra o pauzinho, rebola de costas, baba-se ligeiramente ou persegue o brinquedo com uma vivacidade invulgar. Esta fase dura geralmente entre cinco a quinze minutos, por vezes menos nos gatos idosos. Assemelha-se a um pico de energia lúdica em vez de uma verdadeira alteração do comportamento.
Uma fase de relaxamento
A excitação diminui depois progressivamente e dá lugar a um estado de calma, ou mesmo de sonolência em alguns indivíduos. Este contraste entre estimulação e relaxamento é um dos principais interesses da planta: permite canalizar um excedente de energia antes de um momento de descanso, o que convém bem aos gatos que vivem apenas no interior e têm poucas oportunidades de gastar energia.
A intensidade da reação varia muito de um gato para outro. Alguns contentam-se em cheirar o pauzinho sem mais interesse, outros tornam-se particularmente demonstrativos e uma minoria não reage de todo, sem que isso indique um problema de saúde.
O que o matatabi traz realmente ao dia a dia
Ocupar uma mente que se aborrece
Um gato de interior que carece de estimulação desenvolve por vezes comportamentos incómodos: arranhadelas fora do arranhador, miados repetidos, lamber-se excessivamente. Propor regularmente um pauzinho ou um brinquedo impregnado de matatabi dá ao gato uma oportunidade concreta de mobilizar a sua atenção e o seu corpo, o que reduz mecanicamente o tempo passado a aborrecer-se.
Participar na higiene oral
Roer um pauzinho de madeira dura exerce uma ação mecânica nos dentes do gato, comparável à de um brinquedo para roer para cão. Esta fricção contribui para limitar o depósito de placa, sem contudo substituir um acompanhamento dentário regular. É um benefício secundário, não uma solução de cuidado completa.
Acalmar tensões passageiras
A fase de relaxamento que se segue à excitação inicial ajuda alguns gatos a libertar a tensão acumulada, por exemplo, após uma mudança no seu ambiente ou uma visita ao veterinário. O matatabi não trata uma ansiedade instalada, mas pode acompanhar um gato durante um período de transição, em complemento de um ambiente estável.
As diferentes formas de matatabi e a sua utilização
O matatabi apresenta-se sob vários formatos, cada um adaptado a um uso preciso:
- O pauzinho bruto: um pedaço de madeira que o gato rói diretamente. É a forma mais simples, a renovar quando se torna demasiado gasto ou perde o seu cheiro.
- O pó: polvilha-se sobre um arranhador, uma árvore para gato ou um brinquedo existente para reavivar o interesse do gato por um objeto que ele ignora.
- Os brinquedos impregnados: peluches ou bolas tratadas com a planta, que combinam o atrativo olfativo do matatabi com o prazer do jogo físico.
- As galhas inteiras: menos comuns, são por vezes vendidas tal como são para gatos que preferem arranhar e roer uma textura irregular.
A escolha do formato depende sobretudo dos hábitos do gato. Um gato que gosta de mordiscar voltará naturalmente para o pauzinho, enquanto um gato mais brincalhão aproveitará mais um brinquedo impregnado que possa transportar, lançar ou agarrar entre as patas.
Precauções e limites de utilização
Uma frequência a moderar
O matatabi não se destina a uma utilização diária. Uma exposição demasiado frequente diminui a intensidade da reação do gato, um pouco como um cheiro ao qual nos acabamos por habituar, e priva a planta do seu efeito estimulante. Espaçar as sessões por vários dias permite conservar o seu poder de atração a longo prazo.
Vigiar as primeiras reações
Durante um primeiro contacto, é útil observar o comportamento do gato sem intervir. Alguns indivíduos tornam-se particularmente demonstrativos e podem brincar com mais vigor do que o habitual, incluindo com as mãos ou pés do dono se estiverem por perto. Nesse caso, é melhor privilegiar um brinquedo dedicado em vez de um contacto direto com a pele.
O caso dos gatinhos e dos gatos idosos
Nos gatinhos muito jovens, o sistema sensorial nem sempre está suficientemente maduro para reagir ao matatabi, sendo preferível esperar vários meses antes de lhes propor. Nos gatos idosos, a reação permanece frequentemente presente, mas mais moderada, o que corresponde geralmente ao seu nível de energia global. Em todos os casos, um gato que não mostra qualquer interesse não tem nada de anormal: a sensibilidade ao matatabi, tal como à erva-gateira, depende em parte de fatores individuais.
A questão das casas com vários gatos
Numa casa com vários gatos, é melhor propor um pauzinho ou um brinquedo por indivíduo em vez de um único objeto para partilhar. A excitação provocada pelo matatabi pode, de facto, transformar um momento de jogo numa fonte de tensão entre dois gatos que disputam o mesmo objeto. Espaçar os pontos de difusão pela casa, por exemplo um brinquedo impregnado por divisão, limita este risco e permite que cada um aproveite a planta ao seu ritmo.
As plantas que complementam ou substituem o matatabi
A erva-gateira, a referência mais difundida
A erva-gateira continua a ser a planta mais conhecida para estimular os felinos graças à nepetalactona que contém. Propõe-se fresca, seca ou incorporada em brinquedos, e convém bem aos gatos que ainda não foram expostos ao matatabi. As duas plantas agem sobre recetores vizinhos, mas não idênticos, o que explica que alguns gatos prefiram nitidamente uma à outra.
A valeriana, entre atrativo e apaziguamento
A raiz de valeriana liberta um cheiro potente que atrai muitos gatos, com um efeito por vezes mais calmo do que o do matatabi. Encontra-se mais frequentemente sob a forma de brinquedos impregnados ou saquetas para esfregar num arranhador. Alguns gatos totalmente indiferentes à erva-gateira reagem fortemente à valeriana, o que a torna uma opção a testar em caso de insucesso com as outras plantas.
O madressilva-do-tártaro, uma alternativa menos conhecida
A madeira de madressilva-do-tártaro contém também compostos atrativos para os gatos, com um efeito geralmente descrito como intermédio entre o do matatabi e o da erva-gateira. Apresenta-se sob a forma de pauzinhos ou pequenos pedaços de madeira bruta para roer, num uso bastante próximo do matatabi. É uma opção interessante para alternar e evitar que o gato se canse de uma única planta.
Alternar estas diferentes plantas ao longo das semanas permite manter o interesse do gato a longo prazo, em vez de se cingir a um único produto utilizado até perder todo o efeito. Esta rotação reproduz de certa forma a diversidade de cheiros e texturas que um gato encontraria naturalmente no exterior.
Escolher bem segundo o temperamento do seu gato
Observar o seu gato antes de comprar um produto à base de matatabi evita muitas desilusões. Um gato calmo e pouco demonstrativo não reagirá necessariamente com a mesma intensidade que um gato jovem e enérgico, sem que isso ponha em causa a qualidade do produto. O formato conta muitas vezes mais do que a marca ou a concentração anunciada, pois determina a forma como o gato vai interagir fisicamente com o objeto.
O formato mais adaptado depende sobretudo da forma como o gato explora o seu ambiente. Algumas referências ajudam a orientar esta escolha:
- Um gato que mordisca muito os objetos do quotidiano aproveita mais um pauzinho bruto para roer.
- Um gato muito brincalhão, que gosta de perseguir e agarrar, vira-se mais naturalmente para um brinquedo impregnado.
- Um gato desconfiado perante a novidade aceita melhor uma pequena quantidade de pó depositada sobre um objeto já familiar, como o seu arranhador habitual.
- Um gato sensível que se agita facilmente beneficia de uma exposição breve e vigiada, em vez de um acesso permanente ao pauzinho.
Conservar estes produtos num recipiente hermético, ao abrigo da luz e da humidade, permite preservar o seu cheiro durante mais tempo e evitar que percam a sua eficácia entre duas utilizações.
O que deve reter
O matatabi oferece um meio simples e natural de estimular um gato de interior, de contribuir para a sua higiene dentária e de o ajudar a libertar uma tensão passageira, desde que utilizado com moderação. A sua reação varia de um indivíduo para o outro, e combina-se bem com a erva-gateira, a valeriana ou o madressilva-do-tártaro para manter o interesse do gato a longo prazo. Os gatos sphynx, desprovidos de pelo protetor, gastam-se voluntariamente durante estas sessões de jogo, mas recuperam depois mais rapidamente uma sensação de frescura uma vez terminada a excitação: uma camisola ou uma t-shirt em material suave, vestida durante o repouso, permite-lhes conservar o seu calor corporal entre dois momentos de atividade. É a ocasião de percorrer a secção de roupas para gato sphynx e de escolher uma peça adaptada à morfologia e aos hábitos do seu companheiro.
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